domingo, 30 de agosto de 2009

O Medo na era líquida.


A característica mais marcante do Medo na nossa época é que ele tornou-se abstrato e difuso, como se a ameaça pudesse vir de toda parte. É esse medo que leva a exclusão do outro, do diferente, sacrificando a liberdade em troca de um pouco mais de segurança.

A violência se alastra rapidamente, e é contra os transtornos dessa situação tensa que nossa sociedade se vê obrigada a criar mecanismos de fuga psíquica( progaramas de tv, jogos, terapias...) para se manter são. No auge da era da liquidez o ser humano passou a ser "a coisa consumida" para em seguida ser "descartada", este é um tipo de medo de uma violência simbólica contra a dignidade da condição humana. Este processo de despersonalização do homem é uma das características mais marcantes da era líquida, além da moralidade frágil e dos ímpetos egoístas dos relacionamentos efêmeros, uma vez que o parceiro é encarado como uma peça que entra em processo de obsolência.

De acordo com essa perspectiva mega-hedonista, o mais conveniente é se relacionar com álguém sem que haja afetividade de qualquer tipo criando assim uma superficialidade pseudoamorosa. É como se o consumismo tivesse invadido o mundo dos relacionamentos, criando o medo iminente do abandono fazendo das relações amorosas algo perigoso. O medo no amor é resumido por; insegurança de se dar plenamente a alguém e depois ser jogado fora.

O sentimento do medo nessa sociedade atual fez com que o homem criasse aparatos para aumentar a sensção de segurança. Surge então a "Industria do medo" composta de empresas de segurança e também farmacêuticas com suas "pílulas de alívio imediato". Nessa condição o medo se torna imprescindível para a manutenção social, por mais absurdo que isso seja.

"Todos os homens tem medo. Quem não tem medo não é normal; isso não tem nada a ver com coragem" - Sartre.

2 comentários:

  1. "É como se o consumismo tivesse invadido o mundo dos relacionamentos, criando o medo iminente do abandono fazendo das relações amorosas algo perigoso."

    Fique sem entender, me explique porque o consumismo causa medo nas pessoas?

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  2. O consumismo no sentido "descartável" da palavra. Ter por usar. Principalmente no que diz respeito aos sentimentos de alguém, nada mais é fixo, o que causa medo implicitamente, é um fator difícil de explicar por que, como disse antes, " O medo se tornou difisuo e abstrato".

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