Ao olhar para o horizonte pude notar uma chaminé no cume de uma colina. Lembro-me desta colina. Quando era criança, costumava brincar pelos arredores e ouvia de um e de outro a lenda de que a casa daquela colina era assombrada, então, ficou conheciada como; A casa poltergeist pois todos que lá entravam saiam atordoados, atônitos com medo da própria sombra. Não acreditei em nada disso, mesmo assim, batia um medo terrível á porta do meu coração.
Resolvi entrar na casa, só por curiosiadade e autoafirmação. Abri a velha porta, havia muitos quadros, na maioria quadros surrealistas. Arte para todos os gostos, livros dos mais variados temas, em sua maioria, da escola do Realismo. A casa inteira, na parte de dentro, era cercada de espelhos, tantos que mal dava para ver a cor das paredes. Ouvi uma voz que chamava suavemente o meu nome, era uma voz feminina. Então a vi. Não tinha face alguma mas podia notar que me olhava docemente, fazendo meu libido ir até os confins. Eu sabia que não podia me render a ela. Tudo o que vinha a minha mente eram meus medos e desejos ocultos, dos mais excitantes aos mais desanimadores.
Tudo vinha á tona. Esse possível fantasma sedutor me fazia tremer até nos cabelos. saí correndo feito um louco, não! eu estava realmente louco, eu pude, por uma hora, entender minha mente e pude ver toda minha vida e minhas ações, só que do lado de fora, com os olhos da sanidade.
Todos aqueles medos, aquela dor lacerante e os instintos aflorando ao mesmo tempo... Não havia fantasma algum, era só eu mesmo, com todas as mazelas adquiridas durante a vida e "evolução". era o retrado da mente do Homo sapiens, uma fotografia da pseudodivindade antropocêntrica, oculta, espreitando e esperando só um momento para devorar quem vem aos arredores. Este é o pior fantasma, a assombração dos próprios instintos humanos. O Demônio somos nós mesmos, os chacais da nossa própria raça desunida. É preciso a virtude de um santo para não sucumbir á vinda desse poltergeistPor: Hugo Belmonte.
Nenhum comentário:
Postar um comentário