quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Poltergeist.

   A noite estava num agito monótono, então decidi sair para andar no bosque ao lado de casa, só para adimirar a fauna local. Comecei minha jornada ás 10 da noite. Andei vagarosamente. senti o cheiro de todas as plantas e senti os espinhos de uma bela rosa espetarem miha perna esquerda, abaixei-me para pega-la. Na verdade, a deixei lá, deixei-a viver para enfeitar o lugar. Era melhor do que deixa-la morrer em minha estante cheia de livros empoeirados.
   Ao olhar para o horizonte pude notar uma chaminé no cume de uma colina. Lembro-me desta colina. Quando era criança, costumava brincar pelos arredores e ouvia de um e de outro a lenda de que a casa daquela colina era assombrada, então, ficou conheciada como; A casa poltergeist pois todos que lá entravam saiam atordoados, atônitos com medo da própria sombra. Não acreditei em nada disso, mesmo assim, batia um medo terrível á porta do meu coração.
   Resolvi entrar na casa, só por curiosiadade e autoafirmação. Abri a velha porta, havia muitos quadros, na maioria quadros surrealistas. Arte para todos os gostos, livros dos mais variados temas, em sua maioria, da escola do Realismo. A casa inteira, na parte de dentro, era cercada de espelhos, tantos que mal dava para ver a cor das paredes. Ouvi uma voz que chamava suavemente o meu nome, era uma voz feminina. Então a vi. Não tinha face alguma mas podia notar que me olhava docemente, fazendo meu libido ir até os confins. Eu sabia que não podia me render a ela. Tudo o que vinha a minha mente eram meus medos e desejos ocultos, dos mais excitantes aos mais desanimadores.
   Tudo vinha á tona. Esse possível fantasma sedutor me fazia tremer até nos cabelos. saí correndo feito um louco, não! eu estava realmente louco, eu pude, por uma hora, entender minha mente e pude ver toda minha vida e minhas ações, só que do lado de fora, com os olhos da sanidade.
  Todos aqueles medos, aquela dor lacerante e os instintos aflorando ao mesmo tempo... Não havia fantasma algum, era só eu mesmo, com todas as mazelas adquiridas durante a vida e "evolução". era o retrado da mente do Homo sapiens, uma fotografia da pseudodivindade antropocêntrica, oculta, espreitando e esperando só um momento para devorar quem vem aos arredores. Este é o pior fantasma, a assombração dos próprios instintos humanos. O Demônio somos nós mesmos, os chacais da nossa própria raça desunida. É preciso a virtude de um santo para não sucumbir á vinda desse poltergeist


Por: Hugo Belmonte.

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