sábado, 23 de março de 2013

O ponto que a Pena faz.

.   O texto começa com um ponto final. Talvez deva logicamente chamá-lo de ponto inicial, mas seria muito simples. Nada é tão simples, principalmente quando se trata de início, fim, palavras...
   O ponto preliminar é o ponto. Quando não há mais o que falar, apenas encosta-se a caneta no papel e lá estará o ponto e lá mesmo ficará. É este o ponto final, mas não é ele quem intriga, é o ponto em que não é nem começo nem fim.
   O ponto de fracasso, o ponto de mágoa, o ponto de deslize, que pode virar uma vírgula e então, dar sequência a outras intermináveis vírgulas... Reticências...
   Particularmente há um ponto da caneta fixa no papel, que de tanta carga que há, não consegue pronunciar nenhuma palavra. Apenas sangra e borra. A mão se esforça e, quanto a quem segura a caneta, quanto a ele, apenas algumas lágrimas escorrem por conta do que veio explicitar em arte fenícia. Força, esforça, faz de todos os esforços, mas o que afeta pesa mais sobre a pena e simplesmente não há força suficiente para mover a caneta e produzir qualquer arte.
   Talvez seja o nó na garganta, atando as mãos, ou os olhos molhados que não permitem que enxergue o papel. pode ser o coração incomodado, atrapalhando o cérebro com seus gritos, de modo pacífico ou não, todos precisam se libertar disto.
   As asas se abrem com palavras inesperadas e o que seguramos nos braços voa, o vento da batida das asas deixam a pele queimada e as marcas são sempre aparentes, fazendo parte da realidade que foi. Com as asas cansadas então podemos pousar longe e descansar o quanto quisermos no ninho que é nosso, onde os olhares são limitados e a chegada do incômodo é impossível. Com as penas então escrevemos o ponto. Por isso a águia voa alto e longe.

   A águia não usa as penas para machucar o papel. Se assim assim tivesse que ser, faria apenas um ponto final e inicial. Dependeria do seu ponto de vista.

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