quarta-feira, 6 de julho de 2011

The hope, the starts, the broken hearts. Is real the pain you feel?

   O dia todo passou num piscar de olhos. Parecia que toda aquela tensão e aquela guerra interior da permissão e da negação parecia ter dado trégua. Mas achava ainda que o destino conspira com planos milimétricos contra a vontade dele. Aquelas velha energias e o álcool, o maldito álcool. Álcool dever ser uma espécie de magia negra na qual  temos que reunir os elementos necessários para que a euforia dure pelo menos uma hora. No caso, faltou o elemento "esquecimento" que ele não relacionou com o fator "passado". 
  A noite e a madrugada foram uma gama surrealista de loucura e dança. A tal da dignidade zero, no bom sentido, claro. Toda aquela noite deu-lhe algo que ele não tinha, mesmo assim, não tinha uso. Imagine, então, que toda a batalha de permissões e negações voltam quando justamente não se tem noção do que se passa ao redor. Então toda a dormência passar a ser uma epifania gloriosa de som, imagens, flashes, vodkas, gins e uma pessoa em especial, uma rosa vermelha.
   Talvez a crença de que nada fosse por acaso o tivesse abalado. Toda aquela forma de encontro súbito, a distância, as semelhanças. Semelhanças até demais. Conversas fluem e coisas que não deveriam ser lembradas voltaram na cabeça dele, toda aquela sensação de ser um bastardo inglório no sentido péssimo e não cinematográfico estava o deixando deprimido novamente, e por tabela vinha a hipergrafia tomar conta dele. Tudo o que podia ser feito era falar a verdade, a tão pregada Verdade e sinceridade.
   A verdade é que ele sabia o que ia acontecer mas negou a si mesmo o direito de saber a verdade. Sempre acontecia isso; ele dizia que ia acontecer e isso acontecia. É um perigo. A vantagem era que ele não estava só, havia mais dois. Só estavam em corpo, mas mesmo assim estavam.
  A pergunta era; "permito-me ou não permito-me?" permitir faria com que nada fosse barreira, nem distância, nem semelhança, nem cobrança, nem absolutamente nada, muito menos passado, dele ou dela. O dilema continua agora e vai continuar até um longo período.
   Então ela se despediu e ele deu o seu tchau saudoso de toda noite. Sabe-se lá quando a veria novamente e se a veria pessoalmente. No fundo ele sabe que sim mas ainda há o receio de não querer conhecer 100% por causa do risco de mesmo tentando não se apaixonar ele acabar por fazer isso, justamente o que não quer, não por vontade própria mas dominado pelo medo disso.
  Algo mais o incomodava e tudo o que tinha nas mãos era o velho celular. Sem hesitar mandou tudo o que tinha dentro do peito. Tudo não, tudo seria exagero. Mandou o que se permitia mandar por mais que não se permitisse. Isso é um verdadeiro paradoxo. Ele e ela, havia algo mais paradoxal? Ele achava que era impossível e mesmo que não fosse, as probabilidades poderiam ser mínimas pelo fato de sempre; porque ele era "ele", era aquele ser com aquele conjunto de características complexamente distribuídas em vastos níveis de experiências grotescas.
  O que vinha na cabeça dele era; "Já passei mito tempo levando a vida a sério, evitando pisar na merda que tem na calçada da vida, se pisava, limpava o sapato. Faço o seguinte agora; vou andando, se pisar, então tá, deixa o sapato do jeito que tá, se não pisar, ótimo."
  E agora? o que ele tem que fazer? Se ela ler vai entender. Se ele ler não vai.

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