domingo, 14 de março de 2010

Nas Planícies De Jiddah.


   Eramos templários, eu, Saint-Fray e Kart. Todos participavamos das cruzadas contra os demônios mulçumanos, para reconquistar a terra prometida de Jerusalém, todos juntos. Eu fazia parte de um pequeno regimento, um batalhão chamado "Os cruzados de Ricardo", Ricardo coração de leão. Posteriormente, Kart e Fray foram trasferidos para essa "tropa". Nessa divisão eramos todos esgrimistas sublimes. Talvez tivessemos mais lealdade á Ricardo do que ao Papa.

   Lembro-me de uma das minhas mais emocionantes batalhas ao lado de Fray e Kart. Foi numa planície perto de uma província árabe chamada Jiddah, ponto estratégico de nosso interesse. Chegamos lá depois de 2 meses de viagem á cavalo, eramos pouco mais de 600 cruzados. Montamos campana ao lado de cavernas onde podiamos dormir tranquilos, lembro de Saint Fray ter me dito: "Reze virado para medina, Leon, é de lá que os ratos virão." e lembro-me de ter dito: "Repouse tranquilo, a Santa Cruz está do lado de quem vai vencer" Kart disse logo após meu comentário: "Maldito do homem que não suja sua espada de sangue, está escrito em Macabeus, meu caros." Não foi muito reconfortante, mas foi animador este último comentário. Nos deu mais sede de batalha.

   Logo pela manhã, um dos nossos mensageiros, Flávio, voltou com a notícia "Os Mulçumanos estão a 1 quilômetro daqui". Era quase um efeito surpresa. Naquelas horas eles deveriam estar a pouco menos de 700 metros de nosso acampamento. Quem os liderava era Salah Al-Adin, ou Saladino, como o chamavamos. Ele é um ótimo estrategista, já havia nos vencido em várias batalhas. Ricardo acordou atordoado com a notícia e esbravejou e praguejou contra os mulçumanos.

   Nos preparamos ás pressas para a batalha, mal estávamos em formação e já ouviamos os gritos de guerra dos nossos adversários. Flechas começaram a cair, uma delas passou muito perto de mim, pude sentir o vento e o som da flehca no ar, o que me instigou bastante para um combate sanguinário. Fray não teve a mesma sorte, a flecha o atingiu bem em seu braço direito, na altura um pouco abaixo do ombro. Infelizmente, ele era destro e não pode usar a mão direita para atacar, o que o expôs bastante porque só pode usar o braço esquerdo e não pode carregar o escudo.

   Não hesitei em dar assistência a Fray, mesmo sendo difícil cuidar de você mesmo e de um soldado ferido em uma batalha como essa. Kart estava conosco, formando um círculo de ataque e defesa mútua, um de costas para o outro dando assistência em visão e defesa. Desordenados e atormentados, os outros cruzados morriam um atrás do outro. Foi realmente um ataque feroz, o sangue dos árabes é quente, fervente!. Todos os nossos com sono e fome enquanto so mulçumanos estavam alimentados e dispostos, realmente uma tática brilhante.

   Metade do dia de batalha e agora os cavalos, ágeis e mortais, dos mulçumanos faziam ataques sequenciados, o que debilitou nossas defesas, eles vinham em uma onda de ataques fortes e impiedosos. Foi em um desses ataques que fui golpeado com bastante força, bem na cabeça, o que me fez desmaiar por um pequeno período, talvez alguns minutos. Kart disse que sangrei muito mas o ferimento estancou rápido, o que parecia um milagre para ele... Nesse meio tempo, Fray foi atingido de novo, só que dessa vez um Mulçumano o atingiu em cheio no peito fazendo Fray cair sem chance alguma de defesa, quase morto. Acordei. O dia estava acabando e a batalha também. Levantei-me e o ódio levantou comigo, matei com um ímpeto profano 8 infames, com total adrenalina. Vi Fray quase morto e Dalbot Kart com uma flecha enfiada na perna e um corte profundo nas mãos, Tentei ajudá-los levando-os para dentro de uma das cavernas ao lado do nosso acampamento, mas aqueles sim são verdadeiros cavaleiros, preferiram continuar lutando.

   O dia foi acabando e os mulçumanos foram derrotados e bateram em retirada. No fim do dia tinhamos perdido mais da metade de nossos homens e exatamente 120 deles estavam feridos, entre ele Kart, Fray que estava gravemente ferido e eu com a cabeça sangrando. Não sei como ganhamos essa batalha se tinhamos apenas 112 homens ainda aptos (Porém desordenados e atordoados pelo impacto do ataque) para batalhar contra um pouco mais de 200 guerreiros mulçumanos... Acho que na verdade fomos poupados.
 
 
Autor: Hugo Belmonte.

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