segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Diálogos.


Legendas de um cinema mudo.
Como pode esperar por uma vida que não há?


- A vida é uma dor efêmera.
- Pior. A vida é um viajante europeu percorrendo um mangue tropical.
- Rárá! Já desligou a tevê?
- Ainda não! Espera... Pronto!
- Seu novo corte de cabelo te deixou mais maníaco!
- Pois é, fico parecendo um niilista psicótico.
- Pare de se analisar tanto. Você se culpa por tudo e por todos.
- Eu me culpo por ser um personagem.
- Pior. Somos a reprodução sem título de algum escritor.
- Nossa conversa está ficando muito profunda. Não sei se vou conseguir continuar.
- Ei, antes que vá preciso te dizer uma coisa.
- O quê?
- No início era uma pontada fina. Os dias foram passando. Semanas, talvez. Hoje fui ao médico. Descobri que estou com câncer. Não vou viver muito. Fiquei pensando em você, por isso te liguei. Eu sei! te conheço. Você não tem nenhum livro, ou frase de efeito que fale de amor. Deixa eu contar um segredo: o amor não se diz, se sente.
- A vida é uma dor efêmera. Se amanhã você se ausentar, por você prometo. Que essa infame frase não irá se inverter.
- Eu sei que você me ama, número dois.
- Naturalmente numerária sete.

Por: Marcelo Freire.

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