segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Diálogos.


Legendas de um cinema mudo.
Como pode esperar por uma vida que não há?


- A vida é uma dor efêmera.
- Pior. A vida é um viajante europeu percorrendo um mangue tropical.
- Rárá! Já desligou a tevê?
- Ainda não! Espera... Pronto!
- Seu novo corte de cabelo te deixou mais maníaco!
- Pois é, fico parecendo um niilista psicótico.
- Pare de se analisar tanto. Você se culpa por tudo e por todos.
- Eu me culpo por ser um personagem.
- Pior. Somos a reprodução sem título de algum escritor.
- Nossa conversa está ficando muito profunda. Não sei se vou conseguir continuar.
- Ei, antes que vá preciso te dizer uma coisa.
- O quê?
- No início era uma pontada fina. Os dias foram passando. Semanas, talvez. Hoje fui ao médico. Descobri que estou com câncer. Não vou viver muito. Fiquei pensando em você, por isso te liguei. Eu sei! te conheço. Você não tem nenhum livro, ou frase de efeito que fale de amor. Deixa eu contar um segredo: o amor não se diz, se sente.
- A vida é uma dor efêmera. Se amanhã você se ausentar, por você prometo. Que essa infame frase não irá se inverter.
- Eu sei que você me ama, número dois.
- Naturalmente numerária sete.

Por: Marcelo Freire.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Jangada



  Assim como o Dharma (que, no caso, se refere ao conjunto de ensinamentos e tradições do budismo para alcançar a iluminação) é apenas a ferramenta (jangada) feita com elementos banais, que muitos tomariam como lixo, muito do próprio ensinamento (no seu caráter individual, como as parábolas) pode ser encarado pela mesma ótica: elementos banais, costumeiros, que são transformados pelo autor em um ensinamento transcendente. Muitos Mestres (reais ou não) nos presentearam com belas parábolas, tais como Krishna, Osho, Mirdad, "O profeta" de Gibran e Zaratustra. Mas, na minha opinião, o maior alquimista de todos, aquele que melhor pegou os elementos circundantes (cenários, objetos, gestos, palavras e respostas) e os transformou em ouro, foi Jesus. Seus ensinamentos são de uma simplicidade que cativa os mais simples, e profundidade que encanta os estudiosos. Sua "jangada" pode parecer tosca à primeira vista. Fraca e balouçante ao sabor da correnteza, sua construção é tão pouco ortodoxa que muitos não aceitam embarcar nela, embora queiram atravessar o rio. Mas sua trama, se analisada de perto, é tão delicada e ao mesmo tempo tão forte (como a teia de aranha) que esta jangada permanece ativa até os dias atuais.





 "Há esta grande extensão de água... mas não há barco nem ponte. Então irei coletar grama, galhos, ramos e folhas, e juntá-los como uma jangada. Desta forma eu irei cruzar com segurança para a outra margem. O Dharma é similar a uma jangada, que existe com o propósito de cruzar o rio, e não para se agarrar/ater a ela".


(Buda; Majjhima Nikaya XXII)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Empirismo.

   Empirismo é um corrente filosófica que defende o conhecimento da razão, verdades e ideias racionais através da experiência. Essa corrente é descrita/caracterizada pelo conhecimento científico, a sabedoria é adiquirida por percepções, pela relação causa/efeito por onde fixamos na mente o que é percebido atribuindo à percepção causas e efeitos; pela autonomia do sujeito que afirma a variação da consciência de acordo com cada momento; pela concepção da razão que não vê diferença entre o espírito e extensão, como propõe o Racionalismo e ainda pela matemática como linguagem que afirma a inexistência de hipóteses.
   John Locke é considerado o principal representante do Empirismo. Com sua corrente, denominada "Tabula Rasa", defendeu que as pessoas desconhecem tudo, mas que através de tentativas e erros aprendem e conquistam experiência. Sua corrente também originou o Behaviorismo que busca o entendimento dos processos mentais internos do homem, mais usado na Psicologia que na filosofia como material prático.
   Há também outros filósofos os quais estão associados ao Empirismo como: Aristóteles, Tomás de Aquino, Francis Bacon, Thomas Hobbes, George Berkeley, David Hume e Hohn Stuart Mill. Destes, Francis Bacon e Thomas Hobbes conseguiram influenciar uma geração de filósofos do Reino Unido com o Empirismo no século XVII.

Perfeição.

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado, que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade.

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e seqüestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda hipocrisia e toda afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã.

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo que é normal
Vamos cantar juntos o Hino Nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão.

Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso - com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção.

Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão.
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera -
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição
 
 
 
 
  Faz tanto tempo e ainda não desatulizou-se... É incrível como estamos alheios ao que acontece ao nosso redor, mais incrível ainda é não deixar tanta esperança dispersa quando nós mesmo temos fome de tê-la... amor é um caso raro de se encontrar hoje em dia, em todos os âmbitos. Tudo é mais egoísmo, sistematização de sentimentos, improviso de verdades, falta de carinho pelo próximo... Enfim, tantos e tantos querem apenas "o venha a nós".
  Antes ainda era possível ouir um "eu te amo"  com força no coração e sinceridade nos lábios. Nesse tempo (muito tempo atrás) já era raríssimo ver isso, a maioria estava na TV. Hoje 99% está na internet, 0.5% na TV, 0,3% no álcool, 0,1% em sonhos surreiais e o restinho na boca de quem ainda resta um pouco de sinceridade e lealdade.
  Mas quem é que quer ser reto quando o caminho pra isso é tão estreito? não tem  pra que! por que respeitar? Amar um indivíduo é muito difícil, amar dinheiro é mais fácil, ele te proporciona coisas que fazem o caminho estreito parecer um caminho de minas terrestres. A diferença é que no final dos caminhos, o estreito dará num campo aberto onde viver não será uma dádiva fatal, onde Amor continuará com a porta aberta e aesperança estará muito bem dividida, isso se ainda precisarem dela.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Viver é uma dádiva fatal.

Renato Russo caprichou mesmo nessa frase. É verdade que, ás vezes, temos que enfrentar tudo do que não gostamos, e que enfrentamos o que odiamos a maior parte do tempo, é complicado, algumas horas é chato, entediante em outras, é cansativo, corrido e altamente estressante.

Acho que o tempero exato da receita de omo viver em paz com tudo ao redor foi extinguido a muito tempo. Os velhos 15 dias de paz nunca chegam. Acredito que nunca vão chegar. Afinal, como tudo anda hoje, é mais fácil se render ao desligamento das emoções, perder, para os racionalismos insensatos, a maioria do que se tinha como sentir, como perceber que algo está pra vir. Isso já se perdeu desde a primeira revolução industrial. Esqueceram que beleza morre, músculos perdem a força... só a sabedoria fica, guardada numa "caixa" que não é o cérebro.

Acho bom tirarmos um dia pra lembrar que somos felizes, por mais incoerente que seja, já que sentimos dor, sofremos abusos, ofensas e por muito menos machucam-nos com setas sem direção, apenas por gostarem do sabor da lágrima dos outros.

Infelizmente nada evolui, se tantas almas desencarnam e voltam para a terra melhores do que eram, porque estamos cada vez mais podres?

Me dói ver que o mundo é tão radical, cheio do que há de pior entre as maldades; a Sra. Traição e o Dr. Roubo. Se olhar ao redor, eles sentam atpe dos seus lados nos ônibus, colégios e mesmo igrejas.

Não sou pessimista. Eu só observo demais... ou tenho baixa auto estima...

Viver é uma dádiva fatal, no fim das contas, ninguém sai vivo daqui.